Melhores Práticas - Ação

Local . Projetos sócio-culturais

Projeto Juventude e Polícia

Texto
Introdução

As relações entre a polícia e os jovens, sobretudo os jovens dos aglomerados e das periferias das grandes cidades, são conflituosas e quase sempre são baseadas em estereótipos, de parte a parte. O objetivo do Projeto Juventude e Polícia, que se desenvolveu no formato piloto em 2004 e que continua em atividade na PMMG, é reduzir estas barreiras. Através de apresentações musicais e oficinas culturais de percussão, vídeo, circo, teatro e grafite, coordenadas por jovens do Afro Reggae e realizadas dentro de batalhões da Polícia Militar, a iniciativa procura estabelecer um diálogo entre a cultura policial e a cultura dos jovens. Associado a este objetivo, o projeto busca produzir uma nova imagem da polícia, associada positivamente à cultura e à arte e dissociada dos estereótipos de violência e discriminação; e produzir uma nova imagem dos jovens moradores de aglomerados e favelas dissociada dos estereótipos da criminalidade
Histórico
Em 2003, o Grupo Cultural Afro Reggae e o CESeC apresentaram um projeto que previa o desenvolvimento de ações culturais lideradas pelo Afro Reggae dentro de Batalhões da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O projeto foi aprovado pela Fundação Ford, mas não pode ser implementado no Rio. Em 2004, o então sub secretário de Defesa Social de Minas Gerais, Luiz Flávio Sapori, convidou o Afro Reggae e o CESeC para desenvolverem o projeto em Minas Gerais. O projeto foi reformulado para ser desenvolvido no formato piloto e se realizou em quatro etapas, de agosto a novembro de 2004. Em 2005, Afro Reggae, CESeC, Secretaria de Defesa Social e Polícia Militar de Minas Gerais desenvolveram a segunda fase do projeto, capacitando policiais para trabalharem diretamente com jovens dos aglomerados de Belo Horizonte. Atualmente, o Projeto Juventude e Polícia é um diferencial entre polícia e jovens de periferia, com resultados altamente satisfatórios para ambas as partes.

Ações e Metas do Projeto
  • Realização de workshops de percussão, grafite, vídeo, circo, dança e teatro com policiais de MG
  • Apresentação de shows dentro dos batalhões.
  • Apresentações de oficinas de encerramento após cada semana de workshops.
  • Monitoramento do desenvolvimento do projeto com entrevistas, gravações em vídeo, fotografias e observação participante.
  • Criação de uma banda de policiais capacitados a se apresentarem em público em performance dirigida pelo Afro Reggae.
 
Público-alvo
O público alvo do projeto são os policiais de todos os batalhões; os jovens moradores dos aglomerados através da repercussão da presença do Afro Reggae em Minas; a sociedade, através dos meios de comunicação.

Beneficiários ou potenciais beneficiários
Os beneficiários do projeto são os policiais treinados nos workshops e os jovens que mantém contato direto com os policiais.
Valores e princípios fundamentais
  • Favorecer as relações diretas, pessoais e intransferíveis de jovens e policiais.
  • Utilizar técnicas que mobilizem não só a sensibilidade e a empatia dos policiais que participam diretamente do projeto, mas também da sociedade e de outros policiais.
  • Valorizar a produção de novas "cenas" que surpreendam policiais, jovens, meios de comunicação e sociedade.
  • Reconhecer que a distância entre sociedade e polícia é um desafio de todos e não apenas um "problema" da polícia; e que os estereótipos que os policiais têm dos jovens de favelas são tão presentes quanto os estereótipos dos jovens e da sociedade sobre a polícia.
  • Divulgar as ações do projeto, passo a passo.
  • Registrar as atividades e os resultados através de meios visuais e sonoros.
  • Valorizar os policiais treinados, a partir de apresentações públicas.
  • Diferenciais em relação a outros programas / ações de mesmo tipo
 
Uma das diferenças desse projeto em relação a outras ações voltadas para conscientização e afirmação de princípios de direitos humanos junto a policiais é o fato de que os jovens que a polícia precisa respeitar (e que são o foco central do problema da violência no Brasil) estão presentes na primeira pessoa. Não são os professores de direitos humanos que sensibilizam os policiais a respeitar os direitos de jovens de favelas, mas são os próprios jovens.
 
O segundo diferencial é que o projeto não visa apenas a transformação e a mudança de atitudes da polícia; ele também prevê que a sociedade e os jovens em particular se abram para a polícia e reduzam os estereótipos de violência, corrupção e discriminação também generalizadamente associados aos profissionais de polícia.
 
O terceiro diferencial é que o projeto não trabalha apenas com aspectos intelectuais, mas mobiliza aspectos emocionais e corporais.
 
 
Metodologia
 
O modelo usado é o da própria intervenção cultural em favelas. As oficinas de percussão, música e arte tem sido testadas há mais de 10 anos junto a crianças e adolescentes de comunidades pobres pelo Afro Reggae e por inúmeras organizações lideradas por jovens da periferia (Nós do Morro, Olodum e Projeto Axé, Cia. Étnica de Dança, "posses" de hip hop e outras). O aspecto inédito do projeto no Brasil é usar essa metodologia com policiais, afirmando a "atitude" do jovem da favela em um ambiente que permite o diálogo e a quebra de tabus de parte a parte, propiciado pelas oficinas musicais, teatrais e pelos shows.

Fonte: Site da Polícia Militar de Minas Gerais

Para mais informações/imagens sobre este tema, utilize o SISTEMA DE BUSCA de nosso portal 
Colabore com este Portal compartilhando suas fotos, documentos e ação/projeto cultural.
Registraremos esta colaboração e todos os créditos.  Envie por favor para o nosso
contato
 

Imprimir Enviar

O conteúdo desse portal pode ser reproduzido, desde que citadas as fontes e os créditos.

www.saojoaodelreitransparente.com.br . Projeto, pesquisa, organização e concepção: Alzira Agostini Haddad . Todos os direitos reservados