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ASCAS propõe separação de lixo . São João del-Rei

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O Fórum de Resíduos Sólidos, ocorrido durante a Semana de Meio Ambiente, foi especial para a Associação dos Catadores de Material Reciclável (ASCAS) de São João del-Rei. Isso porque algumas das propostas apresentadas podem representar um grande avanço na qualidade do trabalho ecológico desempenhado pela entidade. As ideias abordam: captação de recursos para a construção de um novo galpão e visitas técnicas à cidade de Lavras. Além de uma possível parceria com a Prefeitura Municipal para estender o projeto de diferenciação e separação de lixo reciclável e a aquisição de um caminhão para o transporte dos materiais.
A vice-reitora da Universidade Federal de São João (UFSJ) e coordenadora do Projeto de Assistência Permanente à ASCAS, Valéria Kemp, afirmou que o encontro gerou boas ideias. Mas é preciso colocá-las em prática e envolver a população. “Temos que sensibilizar a comunidade para contribuir com a separação do lixo reciclável”, disse a vice-reitora.

Diferenciação dos materiais
A ASCAS, em parceria com alunos da UFSJ, realiza um trabalho de conscientização popular para separar o lixo reciclável, porém a iniciativa não tem abrangência municipal. Na mesa de debates, foi proposto o envolvimento de diversos órgãos para expandir a ideia e dar início a um projeto municipal de diferenciação de resíduos. “Houve a proposta da coleta diferenciada. Mas isso ainda tem que ser negociado e ajustado. A Prefeitura coletaria, com seu caminhão, os resíduos sólidos e encaminharia à ASCAS”, informou Valéria Kemp.
Outra sugestão foi a possibilidade de adquirir um veículo para a Associação, para ajudar no transporte de materiais. Contudo, isso necessita de parcerias e ainda é só uma ideia. “Um veículo ajudaria muito no transporte do material. Há empresas que querem doar lixo reciclável, mas, pela distância, não temos como pegá-lo”, contou a vice-reitora da UFSJ.
O coordenador da coleta seletiva da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras (ACAMAR), Luiz Tadeo Damaschi, apoiou a proposta. “Tem que ter caminhão, porque o carrinho atrapalha o trânsito e é desumano com os catadores. É necessário estudar uma parceria para adquirir um veículo”, defendeu Damaschi.

Galpão
A sede da ASCAS fica na Rua Carlos Guedes, no Bairro Matosinhos. O espaço é alugado da Paróquia do Senhor Bom Jesus. O valor da locação é custeado pela Prefeitura Municipal, mas o espaço está disponível somente até outubro deste ano, pois a Paróquia pretende utilizar o local.
Para ter maior autonomia e segurança financeira, a intenção é mudar a sede para um lote na Avenida 31 de Março, na Colônia do Marçal. “Estamos em busca de financiamento para construir uma nova sede para os catadores. Conseguimos R$ 30 mil para começar, mas ainda é pouco. A Secretaria do Meio Ambiente indicou que a Prefeitura Municipal poderia nos doar os materiais, isso foi amarrado na mesa”, contou Valéria Kemp.

Trabalho dos catadores
O associado Osmar Bernardes, conhecido como Mazinho, relatou, no Fórum, seu cotidiano como catador e agente ecológico. “Comecei a catar em córregos, há 15 anos e fiquei doente. Passei, então, a recolher papelão na rua, sendo prejudicado pelo atravessador, que ficava com o lucro. Com a formação da ASCAS, ganhamos atenção, organização e aumentamos os ganhos. Tenho orgulho da minha profissão. Nosso trabalho ecológico é nobre, importantíssimo para a cidade”, contou Mazinho.

Fonte: Folha das Vertentes . 2ª quinzena de junho de 2010

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